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Minha nossa, esse blog tava criando poeira já. Mas aqui estou, como Anfion, após uma jornada pelo deserto, pela infertilidade, de volta ao teclado. Hoje vou escrever sobre algo que muitos temem, odeiam, mas que o autor sinceramente acha extremamente agradável nos momentos certos: Solidão. Boa parte dos nossos companheiros de espécie tem uma espécie de pavor da solidão. Precisam permanentemente de alguém a seu lado, de conversas, piadas, jogos, de um alter a complementar seu ego. Encaram a solidão como um castigo, uma causa de sofrimento permanente, mas o que os leva a isso? Vejamos, o que ocorre na solidão que infunde o terror em corações.

O ser humano se desenvolve basicamente em sociedade, desde o momento em que nasce onde os outros são necessários à sua sobrevivência e se insere no âmbito da família, para depois se inserir em mais e mais grupos de seus “semelhantes” se tornando cada vez mais dependente e conectado aos outros. Ao longo de seu crescimento, é impelido a não ser “egoísta”, “auto-centrado”, “anti-social”, a fazer parte de uma coletividade. Ora, somos impelidos o tempo todo em direção a essa massa disforme, sem termos o apropriado conhecimento daquilo que é mais importante: de nós mesmos. Ora a solidão é a melhor maneira de conhecer a nós mesmos, quando não temos ninguem a nos dizer ou nos lembrar o que acham que somos ou aquilo que querem que sejamos (muitas vezes confundido com o que devemos ser). É o momento onde podemos olhar dentro de nós mesmos, mergulhar nas profundezas da consciência, descobrir o que o resto do mundo nos faz esconder de nós mesmos.

E não são todos aqueles que tem coragem para tanto. É muitíssimo mais simples se manter como está, em aparência, como se aparece aos outros, do que se aventurar no poço do auto-conhecimento, é muitíssimo mais fácil ser amado do que verdadeiro. É por isso que amam-se a si os verdadeiros solitários, pois não precisam do amor de outros, não aqueles que vigem a fugir da solidão, mas que a abraçam como caminho para si próprios, aqueles que tornam si mesmos nos poços mais fundos, aqueles onde na superfície é turva a água, e no fundo guardam-se os mais reluzentes tesouros. Mas isso não é para todos – pois as moscas se atraem pela superfície, mas a um espírito livre só se atrai pelo valor. Então clamam os espíritos livres por outros, porque as moscas são maioria. E como já disse um grande sábio persa: “Ainda há muito lugar nas montanhas.”

Hoje o colega Carlos(vulgo Beto) me intimou a atualizar aqui

Então seja

Hoje vou falar de algo que normalmente me irrita em alguns discursos: Usarem para legitimar uma idéia o fato de a pessoa que a emite “precisa” acreditar nessa idéia, ou algo que provenha disso, emitindo juizos de fato a partir de juízos de valor (se eu não me engano isso são falácias de naturalização)

Assistindo o filme “As invasões bárbaras” (um grande filme por sinal) o protagonista discute a religião com uma enfermeira. Ao falar de todas as atrocidades cometidas pela igreja católica, ela fala algo como “se isso é verdade, então tem que existir um Deus para corrrigir as coisas”. Vejam bem, mesmo sendo ateu convicto, não estou aqui contestando a existencia de deus(infelizmente não tenho como provar essa inexistência), mas a necessidade de acreditar em algo para suprir nossa insegurança chega ao ponto de fugirmos de uma discussão saudável para usar esse tipo de argumento. Mas esse sou só eu ‘-‘.

Religião é algo bastante frequente em minhas reflexões. Principalmente por causa da já citada necessidade de Fé. Nietzche disse que os cristãos preferem acreditar no nada a nada acreditar. Não duvido. Uma fé que em grande parte se reproduz como sistema ideológico dogmático que desencoraja reflexões posteriores é sempre perigoso, principalmente em uma sociedade que já não encoraja nenhum tipo de reflexões. Dizem que a política e o direito vem criando um sistema de alienação. As religiões também, a tanto tempo e até mais perigosamente.

Cá estamos. O nome do blog já diz a que me proponho. Humanos não conseguem definir totalmente coisas sem um início, por sua própria existência. Humanos tem início e fim (e a distância entre esses dois pontos é bem curta por sinal) e fazem qualquer criação a partir do que conhecem, muitas vezes a partir de si mesmos. Por mais que tente abstrair, um ser humano não pode montar um quebra-cabeças de idéias baseadas em termos que lhe são alheios, suas abstrações são montagens de seus conhecimentos. Mas às vezes os humanos falam de coisas que eles definem sem começo ou fim. Não o podem conhecer, apesar de acreditarem que existam. O Universo(tomado não apenas fisicamente), uma Divindade, um Valor. Existem, ou são apenas mais quebra-cabeças montados pelas pessoas?

Por minha (curta) experiência, já vi pessoas titubearem ao tentar definir algo sem início, e outros fecharem os olhos para esse aspecto e simplesmente se agarrarem a uma crença, como modo de sustentação. Homens criam idéias, lhe dão um início de existência. Mas às vezes, para essa idéia se manter, é necessário a ilusão de sua eternidade, atemporalidade. O tempo, Juiz das idéias, e outra definição humana, pode ser um empecilho à crença, então é simplesmente posto de lado, para que uma idéia se torne crível. Um nihil se torna uma das bases fundamentais de uma idéia, uma idéia que se reproduz como um vírus simplesmente porque é agradável, que pode se tornar o centro de uma vida infectada, vida esta que pode se tornar um simples hospedeiro, que é consumido enquanto a reproduz, ou que pode absorver a idéia, modelá-la, e a partir disso se fortalecer, a crítica como meio de evolução.

Mas para aqueles que não possuem essa força de espírito, a crença cega é sua única saída, o que leva ao risco daqueles que criticam: Podemos retirar o centro de gravidade de uma idéia, prová-lo irreal, mas muitos preferirão o vácuo à uma simples reflexão. Porque não pensaram no Início