Minha nossa, esse blog tava criando poeira já. Mas aqui estou, como Anfion, após uma jornada pelo deserto, pela infertilidade, de volta ao teclado. Hoje vou escrever sobre algo que muitos temem, odeiam, mas que o autor sinceramente acha extremamente agradável nos momentos certos: Solidão. Boa parte dos nossos companheiros de espécie tem uma espécie de pavor da solidão. Precisam permanentemente de alguém a seu lado, de conversas, piadas, jogos, de um alter a complementar seu ego. Encaram a solidão como um castigo, uma causa de sofrimento permanente, mas o que os leva a isso? Vejamos, o que ocorre na solidão que infunde o terror em corações.
O ser humano se desenvolve basicamente em sociedade, desde o momento em que nasce onde os outros são necessários à sua sobrevivência e se insere no âmbito da família, para depois se inserir em mais e mais grupos de seus “semelhantes” se tornando cada vez mais dependente e conectado aos outros. Ao longo de seu crescimento, é impelido a não ser “egoísta”, “auto-centrado”, “anti-social”, a fazer parte de uma coletividade. Ora, somos impelidos o tempo todo em direção a essa massa disforme, sem termos o apropriado conhecimento daquilo que é mais importante: de nós mesmos. Ora a solidão é a melhor maneira de conhecer a nós mesmos, quando não temos ninguem a nos dizer ou nos lembrar o que acham que somos ou aquilo que querem que sejamos (muitas vezes confundido com o que devemos ser). É o momento onde podemos olhar dentro de nós mesmos, mergulhar nas profundezas da consciência, descobrir o que o resto do mundo nos faz esconder de nós mesmos.
E não são todos aqueles que tem coragem para tanto. É muitíssimo mais simples se manter como está, em aparência, como se aparece aos outros, do que se aventurar no poço do auto-conhecimento, é muitíssimo mais fácil ser amado do que verdadeiro. É por isso que amam-se a si os verdadeiros solitários, pois não precisam do amor de outros, não aqueles que vigem a fugir da solidão, mas que a abraçam como caminho para si próprios, aqueles que tornam si mesmos nos poços mais fundos, aqueles onde na superfície é turva a água, e no fundo guardam-se os mais reluzentes tesouros. Mas isso não é para todos – pois as moscas se atraem pela superfície, mas a um espírito livre só se atrai pelo valor. Então clamam os espíritos livres por outros, porque as moscas são maioria. E como já disse um grande sábio persa: “Ainda há muito lugar nas montanhas.”